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[autoral por Charlie F. Grosskopf]

Ela está me observando.

Seus olhos castanhos estão brilhando com certa crueldade, é como se ela estivesse se divertindo com o meu trabalho duro. O chão é muito mais duro do que eu havia imaginado, meus ombros já estão doendo com o esforço, eu preciso usar meu pé e o meu peso para fazer a pá se enterrar no chão escuro. Pedaços do marrom quase negro pareciam pedaços de pedra enquanto eu faço a cova. Eu escuro a risada dela queimando os meus ouvidos, soa escura e doentia, não deveria ser assim. Ela não deveria soar como uma psicopata.

Eu continho sentindo as unhas dela rasgando a pele dos meus braços, se agarrando aos meus músculos como se isso pudesse me fazer parar, eu ainda posso ver a vida desaparecendo, eu ainda sinto a sensação do pescoço dela se quebrando sob as minhas mãos.

Eu estou cavando a cova na terra da escuridão no meu quintal, com morcegos voando aleatoriamente sobre nós. Não é uma noite quente, mas eu estou suando como se fosse uma tarde ensolarada no meio do verão. O suor queima meus olhos e me faz cheirar mal.

Ela está morda e ainda me observa.

Os olhos dela brincam comigo, como se fizessem piadas de mau gosto sobre o que eu estou sentindo agora e que talvez eu estivesse mentindo por todo aquele tempo. A voz dela soa como um murmúrio que vinha direto do inferno: minha namorada me matou com as mãos nuas, ela me assassinou porque assim ninguém poderia me ter.

Eu puxo o corpo dela e ela está olhando para mim. Ela não está respirando, o coração dela não está batendo, mas os olhos dela se movem e encaram exatamente tudo o que eu faço. Ela está envolvida por um cobertor vermelho (o mesmo que nós duas dormimos debaixo por mais noites que eu posso contar), o pano quente cobre o rosto bonito e o corpo praticamente perfeito, mas ela está me observando, me encarando, me vendo.

Eu disse que sinto muito, eu pedi desculpas, eu implorei perdão.

Eu prometi que cuidaria de você, a sua voz vem de um lugar sete palmos abaixo da superfície depois que devolvo toda aquela terra para o buraco, eu não quebro promessas.

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