Wiki Creepypasta Brasil
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Bom, me chamo Dante, sou brasileiro, e sim eu sei que meu nome não é muito comum, minha mãe é alemã e meu pai brasileiro, mas isso não importa agora. Continuando tem acontecido muita coisa esses últimos meses, preparo pra vida adulta, estágio, curso de designer, muita coisa pra um garoto de apenas 16 anos.

Então tudo começou a 7 meses atrás, quando minha familia foi viajar pra Alemanha. Não foi bem uma viagem, fomos na verdade ao enterro da minha vó, eu não tinha muito contato com ela, e pra ser sincero nem me importei quando ela morreu, só queria que aquele enterro acabasse logo pra poder conhecer um pouco mais da Alemanha, enquanto as pessoas estavam chorando vendo uma velha de quase 100 anos dentro de uma caixa ser enterrada, eu estava olhando os redores e olhando as lápides. Uma me chamou a atenção, ela não tinha nome, apenas estava escrito (MEU PEQUENO ALIMENTO) fiquei curioso, meio assustado, já que nunca tinha visto algo parecido. O que mais me deixou intrigado é que estava em português e não em alemão como as outras, resolvi deixar pra lá, eu só queria ir embora daquele lugar, aquele cheiro de grama molhada, me deixava agoniado.

Depois de 2 horas, que pareciam uma eternidade, e vários discursos para uma velha que já estava a 7 palmos do chão, finalmente tudo tinha acabado, meu irmão mais novo disse que estava morrendo de fome, e meu pai levou a gente pra um restaurante lá perto, eu perguntei a minha mãe o por que que tinha uma lápide que não tinha nome e apenas uma frase sem sentido, ela perguntou do que eu estava falando, logo pensei que foi uma pergunta idiota já que ela não tinha saído de perto da minha vó e estava chorando a todo momento, logo mudei de assunto, perguntei oque iriamos fazer no dia seguinte. Antes da minha mãe responder, meu irmão saiu rapidamente em direção ao banheiro, esqueci de mencionar que meu irmão tem 14 anos, ele se levantou tão rápido que quase derrubou a cadeira do restaurante, meus pais foram atrás dele pra saber oque tinha acontecido, eu apenas fiquei na minha, comendo e pensando na lápide, quando eu olhei pela janela do restaurante eu vi uma figura negra em uma daquelas paradas de ônibus diferenciadas da Alemanha, eu fiquei olhando aquela figura enquanto ela olhava fixamente pra pessoas que passavam, aquilo me deixou assustado, mas pensei que poderia ser só mais um idiota fracassado que tem odio das pessoas sem nenhum motivo aparente, até que vi algo que eu não queria ter visto, eu vi o rosto daquela... eu nem sei como chamar aquilo, parecia um cachorro com as laterais da boca cortada ate as orelhas, e um sorriso pertubador, pode parecer loucura ou invenção, mas eu sei oque eu vi, e com certeza aquilo não era humano, e não se parecia nem um pouco com uma mascara, até que ele olhou fixamente pra minha direção, eu queria sair dali, mas estava paralisado, e as pessoas ao meu redor que estavam no restaurante estavam ocupadas demais com seus drinques e suas comidas com nomes estranhos para reparar naquela coisa, até que ela começou a andar em minha direção...

Naquela hora várias coisas passaram pela minha cabeça, e ele continuava vindo, até que minha meus pais me chamaram e eu finalmente consegui me mover, meu irmão teve uma crise alérgica e quase desmaiou no banheiro, quando olhei de volta a criatura tinha sumido, eu ainda estava assustado, meu pai pagou a conta do restaurante e fomos às pressas pro hospital, não parava de pensar no que tinha visto em nenhum momento, e o desespero da minha mãe seguido das respirações com dificuldade do meu irmão só me deixava mais assustado, estava com medo de tudo aquilo mas não queria demonstrar oque estava sentindo, até porque seria constrangedor um garoto de 16 anos falar que viu o bicho papão, certamente não acreditariam em mim e iam brigar comigo por fazer piada em um momento daquele.

Quando chegamos no hospital meu irmão foi levado às pressas pra sala de cirurgia, eu não tinha entendido o porque de levar ele pra uma sala de cirurgia, já tinha acontecido aquilo antes, mas normalmente ele tomava uma injeção e algumas pilulas pra que a alergia fosse amenizada, depois que ele entrou deitado em uma maca e vários médicos em volta, eu pensei que minha mãe iria perder mais uma pessoa especial pra ela, meus pais não saíram da frente da porta nenhum minuto se quer, enquanto eu apenas olhava, resolvi ir no carro pegar dinheiro pra comprar algo para beber, aquilo tudo me deixou estressado e precisava me acalmar, enquanto passava pelo hospital ouvia pessoas chorando, gemendo, e agonizando em dor, meu Deus, aquilo parecia o inferno... Quando cheguei no carro peguei um pouco de dinheiro da carteira do meu pai, resolvi me sentar no banco do motorista, e ouvir um pouco de música pra me distrair e tirar aquilo tudo da cabeça um pouco. Quando coloquei o fone de ouvido e fechei os olhos senti uma corrente fria e um cheiro podre, abri os olhos e lá estava ele, sentado do meu lado, olhando pra mim com os olhos esbugalhados como se fosse alguém faminto vendo sua comida favorita no prato, tentei abrir a porta do carro mas não consegui até que ele falou comigo

-shiiiiu,

-OQUE VOCÊ QUER DE MIM?

-De você? nada, só quero conversar

Aquele cheiro podre ficava cada vez pior, e aquela boca cortada, com as feridas e infecções só deixava tudo aquilo pior, aquele cachorro humanoide com o sorriso do coringa e olhar frio, parecia comigo.

-Sabe Dante, você esta certo.

-Do que você ta falando?

-Sua mãe vai perder alguém especial, e vai ser você.

Meus olhos encheram de lágrimas, coisa que não acontecia a muito tempo.

-Eu sei o que está sentindo.

Ele começou a rir, uma gargalhada que apenas um homem fora de si conseguiria fazer

-porque você vai me matar?

-eu? matar você? hahahaha eu vim apenas avisar

-oque? (falei gaguejando com lagrimas escorrendo em meu rosto)

-hahahahaha a criança assustada dentro de você me encanta, essa alma vazia e sem esperança, tinha que (me) experimentar um pouco

-me experimentar?

-sim, Dante eu sou você... não percebeu? eu represento seus medos... seus traumas... o vazio na sua alma... a frieza em seus olhos...

-não não, eu não sou você não tem como eu me tornar algo como você, você é uma aberração, um monstro

-olhe meu rosto... o seu medo por cães esta representado em minha face... o sorriso psicótico de um predador por morte e desgraça... as pupilas brancas representando o vazio do seu olhar, o frio que me acompanha seguido pelo intenso cheiro de morte... tem certeza que não somos a mesma criatura?

-isso não vai acontecer

saí do carro rapidamente e corri até meus pais, limpando meu rosto e enxugando as lagrimas, meus pais estavam no mesmo lugar observando pela porta o meu irmão... um medico saiu, e conversou com eles... minha mãe começou a chorar enquanto meu pai tentava conforta-la e fazendo força pra não chorar... eu apenas esperava o pior, meu pai olhou pra min e abaixou a cabeça abraçando minha mãe... resolvi correr pro carro denovo para falar com aquela coisa... parece esquisito mas... se ele era eu mesmo saberia oque estava acontecendo e pra minha surpresa ele estava la, me esperando

-resolveu aceitar que vai se tornar um monstro?

-OQUE ACONTECEU LA DENTRO? MEU IRMÃO MORREU?

-claro que sim hahahahaha (respondeu com uma voz calma e psicótica)

-porque você esta fazendo isso?

-eu? você fez isso... sabe quando eu tive sua idade eu não entendi oque tinha acontecido... ninguém me explicou nada... quando meu irmão morreu fiz a mesma pergunta... oque havia acontecido com ele... entao resolvi ofertar a coisa mais valiosa de um ser humano... mas agora eu percebo, você não ligava pra eles... não se importava com eles... nunca se importou...

eu apenas ouvia tudo aquilo de cabeça baixa e derramando lagrimas ao meu redor

-e se você quer saber oque sou e como eu surgi, tudo começa hoje hahahahaha

naquela hora resolvi fazer um coisa que eu sei que me arrependeria, resolvi ofertar minha alma...

-EI VOCÊ QUER MINHA ALMA, ENTROCA DA VIDA DO MEU IRMÃO?

-e é aqui que tudo começa hahahahaha...

-TRAGA ELE DE VOLTA... E LEVA A PORCARIA DA MINHA ALMA

ele sorriu, e disse

-vá la dentro, e abrace ele enquanto pode, talvez não esteja da mesma forma daqui a algum tempo

naquele momento eu entendi... uma parte de min tinha morrido... eu era apenas um monstro, mas mesmo assim precisava ver minha familia antes que o pior acontece-se comigo... meu irmão tinha acordado meus pais estavam abraçando ele, eles me viram na porta, meu irmão levantou os braços em minha direção pedindo abraço, mesmo sabendo que não gosto de demonstrar sentimentos... parece que ele sabia que naquele momento eu precisava daquilo, quando o abraçei ele disse baixinho no meu ouvido

-Meu Pequeno Alimento

aquelas palavras não saem da minha cabeça ate hoje... e pra falar a verdade a unica coisa que quer sair de min é o meu monstro, quase toda noite tenho pesadelos, com canificinas e massacres e breves ilusões do inferno juntamente com a minha figura monstruosa, estou escrevendo isso antes que o pior aconteça comigo

meus pais e meu irmão estão mortos em suas camas... dormindo em sono eterno enquanto eu me alimento de suas entranhas felizmente... eu me sinto livre

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