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- Você tomou suas pílulas de proteína? OK, agora coloque seu capacete.

O Centro de Controle ordenou e Major Tom obedeceu. O Centro de Controle fez ruído enquanto Tom sentou-se em sua cápsula apertada e esperou.

- Atenção para a contagem regressiva, os motores estão ativos.

Tom contou com o homem ao microfone enquanto deixou o fluxo de ansiedade jorrar por suas veias.

- 10... 9... 8...

Tom verificou a ignição e ouviu uma frase final do Centro de Controle.

- Que o amor de Deus esteja com você. DECOLE.

Isso é tudo o que Tom lembrava. Ele acordou com a escuridão no lado de fora das janelas da nave espacial e uma erupção de aplausos em seus fones.

- Bom trabalho, Tom, você realmente teve êxito. Apenas saia da sua cápsula e pilote a nave.

Tom obedeceu, saiu da cápsula e flutuou de uma forma bem peculiar até o assento do piloto.

Flutuando pelo espaço, 100.000 milhas acima da Terra, estava a espaçonave do Major Tom. Três meses se passaram desde a decolagem e a única companhia que Tom tinha era a reiteração das instruções de pré-decolagem em sua cabela, repetindo a todo momento. Ele olhou pela sua janela para ver a lua e observar o abismo solitário e sem vida que era o espaço. "As estrelas parecem bem diferentes", Tom pensou. "Mais vívidas. Maiores."

A visão de Tom foi distraída por um movimento súbito. Algo havia se lançado rapidamente atrás da lua. Algo muito massivo se escondeu atrás da lua. "Talvez um asteróide", Tom pensou. Mas eles não se movem assim tão rapidamente. De trás da lua jorrava o que parecia ser um pedaço do próprio espaço. Era algo muito grande, preto como o céu noturno e pontilhado em grandes luzes brilhantes. E isso vinha vindo na direção da nave de Tom. Pensando rápido, ele inverteu os propulsores de sua nave. O enorme objeto espacial passou de fininho perto da nave, mas foi o suficiente para que a mesma girasse rapidamente.

Tom foi lançado às paredes da nave. A voz familiar do Centro de Controle soou em seus ouvidos.

- Tom, a nave recebeu danos em todo o casco, o que houve?

Tom só conseguiu responder:

- Diga à minha esposa que amo-a muito.

Uma voz diferente do Centro de Controle ecoou:

- Ela sabe.

O objeto espacial estava de volta numa rota de colisão com a nave de Tom. Tudo o que ele poderia fazer era entrar em seu traje espacial e esperar. À medida em que o objeto espacial foi ficando cada vez mais perto, Tom pôde ver o quão enorme ele realmente era. Tinha a forma de uma serpente e deveria ser de ao menos uma milha de comprimento e centenas de pés de largura. Quando o objeto estava a algumas milhas da nave de Tom, ele desacelerou. Eventualmente ele parou e apenas ficou ali. Observando, ao que parecia. Então, ele começou a se enrolar em torno da nave de Tom. Metais não resistiram à pressão e vidros quebraram. Tom observou a besta por fora da sua janela. Parecia que o espaço propriamente dito estava se amarrando ao seu redor.

As máquinas começaram a apitar e as luzes começaram a morrer. Tom freneticamente verificou tudo o que podia; a energia estava indo embora. Não levou muito tempo, talvez alguns minutos, até que a nave ficasse sem nenhuma energia. Depois, nada. Sem mais metal sendo amassado, nem mais vidro quebrando. Tom ficou preso, flutuando ao redor de uma nave sem energia, e não pôde fazer nada.

O Centro de Controle soou em seus ouvidos uma última vez.

- Major Tom, seu circuito está morto. Algo está errado.

Tom não respondeu.

- Você pode me ouvir, Major Tom?

Tom ainda não respondeu.

- Tom, você pode me ouvir? Major Tom!

Tom desligou seu único contato com a vida humana. Desligou seus sistemas de suporte e olhou pela janela. Ele viu um pedaço flutuante de espaço indo em direção a um planeta azul. Em seus últimos momentos, Tom cantou em voz baixa:

- Aqui estou, flutuando em uma lata, muito acima da lua. O planeta Terra é azul e não há nada que eu possa fazer.

Original: https://www.creepypasta.com/ground-control-to-major-tom/

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