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Inferno canibal []

Os olhos em agonia pungente,

Epitafio 01-0

CFA::Khestão

Na órbita escura reviram.

Minha carne entre seus dentes,

À mostra, meus nervos fervilham!

Meu próprio inferno reluzente...

Consternada, a mente ainda resiste...

Quem poderia imaginar?

Sonho medonho que persiste,

Ânsia que pretende me dominar...

Que curioso... O inferno existe!

Realidade abstrata e imanente,

Razão sem igual de devaneios,

Dor atroz, persiste tenazmente,

Envolvendo-me indefesa em seus seios!

Sou oferenda, agora, transcendente!

[...][]

Papai disse que iríamos passear... Foi divertido, na maior parte do tempo... Caminhamos pela trilha, até chegarmos à minha árvore favorita... À frente dela tem um pequeno lago... Disse que faríamos um piquenique... Estranhei, pois não levávamos nada conosco..., apenas uma toalha bem dobradinha, nas mãos de meu papai...

Na minha árvore tem um balanço, no qual sempre brinco... Papai me ajudou... Gosto de balançar vendo meu reflexo sobre a água... Vejo papai me empurrando... Por um tempo brincamos e rimos... Papai parou de rir repentinamente... Meu balanço parou... Papai acaricia minha cabeça, terminando gentilmente em meus longos e lisos cabelos... Ele organiza, de forma muito carinhosa, meus cabelos para o lado...

Estou com medo... Seu toque é gentil, mas seus olhos são assustadores... Posso vê-los refletidos na água... Ele aproxima seu rosto e começa a cheirar minha nuca... Sinto o calor de sua respiração... Papai está calmo, mas eu não... Sinto-me ofegante... Meu coração dispara... Quero muito gritar... As lágrimas se amontoam, mas não saem... Ficam engasgadas em meus olhos, assim como o grito no meu peito... Estou entalada na minha próprio garganta!

Dor! Muita dor! Papai seus dentes estão me machucando... [finalmente chorei]... Papai, meu pescoço está sangrando... Ouço minha carne rasgando e sinto seus dentes rangendo em meus ossos... Estou com braços e lábios dormentes... Minhas mãos esfriam: sinto-me gélida!  Não tenho mais forças sobrando... Quero ficar de pé, mas minhas pernas não respondem... Quero muito bocejar... Estou com sono, mas o sangue preso dentro da minha garganta não me deixa respirar... Então, não posso dormir...

Papai parece feliz... Ele ainda está me mastigando... Ele está tão quentinho... A sensação de sua pele quente, na minha, tão gelada, é muito boa... Sentindo que iria adormecer [mesmo sufocando com meu sangue], decidi que mataria minha curiosidade, perguntando algo a meu papai...

Papai? Meu sangue é bom?

2-2

CFA::Khestão

06 dec 2018::CFA::Khestao

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