Wiki Creepypasta Brasil
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Lá estava eu. Mais uma vez caminhando até a escola, nada diferente. Mais um dia entediante. Mais um dia com idiotas pegando no meu pé. Mais um dia apanhando antes de voltar para casa. E ao chegar no que deveria ser "meu lar", nada de diferente, ao menos em relação a violência de um pai bêbado, e uma mãe que morreu quando você era menor. A vida pra mim era a definição de inferno!

E tudo recomeça: Escola, Zoação, Surras e por fim, eu caminho até em casa. Passando pelo pequeno beco ao qual levava a rua principal da cidade, percebo uma figura alta, com um chapéu grande, um sobretudo e óculos de lente opaca vermelha

- Olá...meu consagrado!

Sua voz soava como um sussurro rouco, como se alguém passasse um garfo num prato.

- Vo-você falou comigo?

-Claro que foi com você, Bryan.

Quando ele disse meu nome, tudo parou. Eu não sabia porque, mas me sentia cada vez mais apavorado.

- O que você quer? Olha, eu já apanhei, pegaram meu dinheiro e eu não tenho nada pra te dar.

-É sobre isso que eu quero conversar...eu posso fazer esses garotos te deixarem em paz

- Pode? Como?

- Pelo preço certo, eu posso te ensinar como resolver tudo.

- Já disse que não tenho dinheiro!

- Calma, calma. Na verdade o preço é algo que você pode me dar agora.

-Tá me estranhando? Olha, eu não gosto de homem não!

- Não é isso... o que eu quero - Ele apontou seu longo dedo para mim - É a sua alma!

Eu travei. Só podia ser piada, obviamente. Mas...sendo só piada... não teria problema! Ele estendeu a mão para mim:

- Feito?

Eu levemente ergui minha mão em direção a sua

-Feito! Mas como eles me deixam em paz?

-Olhe para sua mão. Ela é a resposta.

Eu olhei para minha mão e lá havia uma pílula. Nela, a cor vermelha brilhava fortemente. Ergui minha cabeça para ele mas tinha sumido!

Eu resolvi simplesmente engolir a pílula. Eu sei, não é seguro, mas morrer para mim não seria de todo ruim. Fui pra casa, meu pai brigou comigo por demorar, quase me acertou com uma garrafa. Eu simplesmente abri a geladeira, puxei uma latinha de refrigerante e fui para meu quarto. Adormeci vendo tv e meu sonho foi muito estranho. Diante de mim haviam... vários de mim?! Mas cada um era diferente. Cada um tinha as cores dos olhos diferentes, e um deles, com os olhos vermelhos, gritou com os outros, afastando eles até que ficássemos só nós dois. Então ele olhou para mim:

- Eu sou a resposta do que você procura... quer acabar com seus opressores? Apenas ceda o controle do seu corpo para mim, apenas temporariamente e eu posso arrumar tudo.

Ele não me soou muito confiável. Um arrepio correu minha espinha e eu não sabia o que fazer.

- Tudo bem... mas... apenas meia hora por dia!

-É só disso que eu preciso, agora... ACORDA!

Eu acordei assustado. será que tinha dado certo? Meu pai gritava comigo por estar atrasado. Sua mão se levantou em formato de punho para mim e quando ele ia me acertar, eu apaguei. Pensei ter desmaiado mas...quando eu voltei à mim mesmo, Meu pai estava num canto, segurando sua mão direita com a outra e me olhando assustado.

- Vai embora! - Ele gritou

- Pai, eu...

-Vai embora!

Não restava nada a fazer. Não consegui entender nada e apenas fui para a escola. Será que funcionaria? Acho que "Red" como eu o apelidei, pode me ajudar. Veremos...

Entrando na escola, pátio vazio... estranho. Olho para meu relógio. O que aconteceu? Tudo está... 5 minutos a mais do que eu achava! Vou para o banheiro, pelo menos e melhor de matar aula lá. Logo, Rony, um cara de 20 anos que ainda não saiu do ensino médio (e o que mais me bate) veio em minha direção

-Hey, pivete, passa a grana do lanche!

-Grana do... - Eu me lembro que esqueci de pegar hoje, a manhã foi bem conturbada.

-Então, cadê o dinheiro?

-Eu não trouxe

Ele me ergueu pelo colarinho até a altura de seu rosto. Eu me senti estranho. Quente, o sangue subiu a cabeça

- Só...me deixa em paz - eu seguro sua mão com força e ele solta minha camiseta.

- Você acha que é quem garoto? - Ele me empurra, e eu bato as costas num de seus "capangas" - Acho que você precisa aprender sobre as regras aqui... - Ele acerta seu punho em meu rosto, depois disso...eu apago.

Sangue! Minhas mãos cobertas dele. Passo a mão desesperadamente em meu rosto, procurando o ferimento, mas ao que parece o sangue não é meu. Percebo agora, no meu ante braço, uma marca parecendo cicatriz de uma queimadura, cobrindo até o cotovelo de meu braço esquerdo. Olho ao redor procurando um sinal de Roy, o que encontro é seu corpo estirado, sem saber se ele está morto mesmo... um de seus capangas está caído de bruços na privada e um rastro de sangue segue até a porta, deve ser do outro valentão. Olho o relógio... 10 minutos desde que perdi a consciência. Será que...

-Parado! - Meus pensamentos são interrompidos por um guarda, apontando uma arma para mim - Um garoto disse que você estaria aqui. Pelo visto você andou arrumando muita confusão!

Eu me viro para o espelho, apenas para ver minha boca num tom vermelho. Sangue seco. Meus dentes estão cerrados.

-Pela última vez! - Gritou o guarda - Mãos para cima e não se mexa!

- Mas eu não - dou um passo a frente, apenas para ser alvejado com um tiro no peito...

Escuridão... acho que morri... ou não, novamente volto a consciência, como todas as outras vezes. O guarda jogado no chão, estico minha mão para ver se ele está vivo, e logo vejo a grande cicatriz de queimadura cobrindo todo meu braço. Me assusto indo para trás a batendo no espelho. Ao me virar, além do sangue na boca e dos longos dentes, vejo um cabelo rubro, assim como...o de Red em minha mente. Eu...estou me tornando ele?!

Ouço o som de sirenes. Tenho que fugir. Olho para meu relógio: 15 minutos. Ele cumpriu o acordo. Saio do banheiro, encontrando a escola totalmente vazia. Corro até a quadra e pulo a grade, tenho que achar um lugar para me esconder! Corro até um beco qualquer. Nele, um mendigo repousa contra a parede. Ao me aproximar, ele me olha e... eu reconheço aqueles óculo! Seu chapéu também! Ele se aproxima de mim

-Vejo que a transformação aconteceu rápido!

- Que transformação?

- o que você esperava? Se está assim, é porque aceitou o trato dele!

- Quem é... "ele"?

- Todos temos nossos demônios internos... você apenas libertou o seu!

- E.... o que eu faço?

- Ele vai dominar seu corpo aos poucos, durando cada vez mais tempo em você...até que você será apenas um voz na mente dele. A não ser que você passe a maldição a alguém - Ele estendeu sua magra mão com a pílula vermelha - Entregue isso a alguém e tudo ficará bem...

Ele retirou seus óculos e pude ver seus olhos completamente negros. Ele os pôs em mim, assim como seu chapéu e sobretudo. Todos ficaram num tom rubro ao entrarem em contato comigo. Ele se virou para ir embora

-Aliás garoto - Ele parou - Obrigado - E seguiu seu caminho

Agora, eu sou aquele andarilho. Sem rumo tentando me livrar da maldição antes que seja tarde demais! Acho que finalmente entendo porque não se deve aceitar doces de estranhos...

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