Wiki Creepypasta Brasil
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Submerso no ódio, torna-se cada vez mais detalhista e minucioso de frente ao espelho.Coloca a culpa de seus fracassos no nariz.

-É por isso que eles riem, é por causa disso que ninguém se interessa por mim.

Trancado no banheiro encara sua imagem.Sobre a pia, uma tesoura que vez ou outra usava para aparar alguns pelos avulsos que davam para fora das narinas.Seu olhar sem vida, circundado por olheiras que mais parecem um lençol negro, compõe o desastre que é sua aparência.

Os dedos manipulam a tesoura com maestria, pensa que com um nariz sem pelos, as pessoas o respeitariam mais e ele poderia se sentir superior a aquelas que tinham pelos.O aço frio entra devagar no orifício nasal e o trabalho começa.

-Feio? pelo menos meu nariz é limpo e sem pelos.Vai limpar seu nariz primeiro antes de falar comigo sua filha da puta.

conversando sozinho enquanto procede, pôde notar em como seria fácil humilhar qualquer um que fosse canalha o suficiente.A pia se enche de minúsculos pontinhos pretos, que já quase não existem mais da onde vieram, mas seu olhar "observador" notou  que mais pro  fundo, aonde o canal nasal começava a se afunilar pra dentro do rosto, alguns pelos ainda se mantinham.a tesoura não podia trabalhar ali, era estreito demais.O ódio começa a causar angústia.Tenta por várias vezes meter a tesoura ali, mas é estreito e causa dor.

-Eu só preciso cortar esses e pronto.São tão poucos, tá quase ficando bom.

Inclina a cabeça para trás, afunda a tesoura em seu nariz como se fosse um engolidor de espadas. De novo e de novo, sem sucesso, apenas beliscões que o custam um sangramento.Ele começa a enlouquecer.agora arde sempre que respira.O sangue pinga, caindo sobre seu peito seco, sem músculos ou gordura.Se dando por vencido, nota que não será possível se continuar tentando dessa maneira.Precisa de mais espaço, precisa de um novo ângulo.A tesoura passeia pelo contorno de seu nariz,os olhos não dizem nada, acompanham hipnotizados.Aberta, cada lâmina tem o septo como ponto de encontro.

-É só eu cortar isso.

Seus dedos deslizam devagar.o corte da tesoura começa a apertar o septo,a dor faz com que seus olhos se encham de lágrimas.prossegue.parte do septo para as laterais, como quem recorta um pontilhado.a medida em que avança, oque era cartilagem se torna carne, o aço antes prata, agora é vermelho.O sangue antes ralo, agora é vivo e  quente.Não pinga, escorre.desce pelos seus dedos, vai parar pelo cotovelo, até gotejar no chão.Sua mão sobe por trás da cabeça e vai descendo pelo rosto.Usando o dedo indicador e o médio como ganchos,puxa a cartilagem superior para cima, tornando visível a abertura piriforme de seu crânio.Sua pele agora é a única coisa que mantém o  nariz pendurado no rosto.

Ele sorri, mas não por felicidade.interpreta oque seria a  espontaneidade de um riso solto.O sangue vai entrando sorrateiramente,descendo pelos lábios.Nota como o tabagismo e o vício em café tem dado aos seus dentes um aspecto amarelado.

-São eles,eles são o problema.

Sai do banheiro enfurecido.Seu nariz balança pendurado no rosto enquanto sobe a escada.Faz como bailarina,e na ponta dos pés alcança a caixa de ferramentas no armário.fuça ferozmente.Uma expressão de contentamento domina sua face por alguns instantes enquanto ele observa o seu velho alicate.

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